alô, internet! beleza? boas-vindas à gaveta de tralha, newsletter sobre cultura pop, digital e de fãs. fazendo jus à promessa de que essa newsletter é periódica, mas só deus sabe qual o período, fiquei devendo números nos últimos meses. é o meu jeitinho! confesso que meu atraso foi um pouco crise depressiva e um pouco falta de assunto, porque continuo completamente obcecada por Heated Rivalry e tenho pensado muito pouco sobre outras coisas.

a crise depressiva tá aí e eu tô persistindo. recentemente, no aniversário de um amigo, tive que explicar o que é a Sanrio e o motivo da minha bolsa ter um monte de treco da Kuromi. daí, achei que valia a pena falar desse assunto na newsletter, fazendo jus ao ideal de que é aqui onde deposito os pensamentos aleatórios da minha cabeça.

a minha diva, Kuromi. (fonte: Sanrio)

tô atrasada pra falar sobre as cacareco girls, essa tendência que veio com tudo lá em 2025 - até o Estadão já fez matéria sobre. mas ainda acho que pode ser do interesse do público dessa cartinha, então façam o favor de me acompanhar e de se inscrever, se você já não fez isso antes.

quem aqui lembra dos chaveiros de macaquinho da Kipling? eu, como criança classe C, tive poucas peças da Kipling - a primeira delas foi aquela mochila-sacola, que, no início dos anos 2000, era o único item grande da marca que custava menos de R$100. eu amava o chaveirinho de macaco que vinha, que mostrava até o nome do querido. uma vez eu fiz uma armação de óculos da Kipling só por causa do macaquinho. hoje em dia, minha mochila de viagem é da Kipling, que eu ganhei pra usar no ensino médio e me acompanha desde então.

um monte de macaquinhos da Kipling. (fonte: Kipling)

fica aqui a hipótese de que o macaquinho da Kipling foi um dos primeiros cacarecos a conquistar o coração das meninas da minha geração. eram eles e aqueles bichinhos de camelô em formato de mola, que a gente pendurava na mochila e eles ficavam pulando pra cima e pra baixo conforme a gente andava até a escola. eu adorava pendurar esse tipo de coisa na minha mochila.

com essa introdução, você já deve ter uma boa noção do que quero dizer quando menciono as queridas cacareco girls (garotas dos cacarecos), seleto grupo do qual faço parte. contrariando a tendência minimalista e limpa que vem crescendo no mundo da estética e da moda das plataformas sociais (inclusive, o termo “girls”, em inglês, quer indicar justamente que isso é uma tendência que nasce das comunidades estéticas da internet), as cacareco girls são adeptas do maximalismo, a começar pelas suas bolsas e tudo que carregam nelas. os cacarecos geralmente são chaveiros das mais diversas formas: bichinhos de pelúcia, photocard de K-pop, um isqueiro maneiro, uma bolsinha pra armazenar os fones de ouvido, um gloss com mosquetão na ponta. quando uma cacareco girl anda, você consegue escutar o clec-clec-clec de um cacareco contra o outro.

como mencionei, eu sempre fui uma cacareco girl. meus cacarecos residiam principalmente no meu molho de chaves: duas chaves pra trocentos chaveiros. carrego pra cá e pra lá chaveiro que é fidget, chaveiro em formato de Lego que ganhei de amiga que foi pra Disney, chaveiro do Gudetama que ganhei de amiga que foi pro Japão, um pingente da Kuromi que comprei na Daiso… e por aí vai. amo ganhar chaveiros de presente. atualmente considero que estou com a Formação Quase Ideal de chaveiros - tá só faltando um chaveiro funcional bonitinho. tipo uma caneta-chaveiro, ou um hidratante labial em formato de chaveiro. ou um isqueiro! embora eu não fume. às vezes eu fico me sentindo uma governanta de tempos vitorianos, com um monte de coisa no cinto.

nunca perco minhas chaves na bolsa simplesmente pq tem mto chaveiro

agora que trabalho CLT num campus de educação de diferentes níveis - da creche ao ensino médio/técnico - tenho observado que a tendência dos cacarecos tem se distribuído muito bem entre as meninas bem mais jovens que eu, que têm mochilas especiais para exibir orgulhosamente seus trequinhos. fico muito feliz que essa tendência tá percolando diferentes faixas etárias, porque confesso que torço um pouco o nariz para o minimalismo que predominava as tendências fashion dos últimos anos. não gosto de pensar que, pra estar na moda, é preciso ter a exata mesma bolsa do que todo mundo! prefiro pensar que o melhor é ter o que você gosta e usar aquilo até esgarçar.

Jane Birkin, it-girl dos anos 1970, concordaria comigo. a moda tem suas tendências, mas para o dia-a-dia, o melhor é usarmos o que gostamos, mesmo que nossos gostos não se aproximem dos gostos das influencers. tudo bem que a cacarecagem está, por ora, na moda, o que quer dizer que pode deixar de ser fofo daqui a uma semana; mas acho que o importante é que a popularização dos cacarecos mostrou que tudo bem você querer se expressar através dos acessórios. você não precisa ter tudo igual às outras pessoas ao seu redor.

digo isso porque, embora os cacarecos em si estejam na moda, eles variam muito quanto ao tipo. os cronicamente online como eu podem se lembrar da febre dos Labubus uns meses atrás, e eles ainda são cacarecos populares, mas existem muitas outras opções no mercado. é possível, e até mesmo encorajado!, que os cacarecos sejam feitos pelas próprias mãos das pessoas que gostam de exibi-los em suas bolsas e chaveiros. existem váaaarios tipos de cacarecos e eles fazem alusão a diferentes preferências e subculturas: as K-poppers vão ter photocards e chaveiros dos mascotes de K-pop; as góticas vão ter cacarecos mais sombrios, em tons de preto, ou pelúcias fofinhas de morcego, por exemplo; as viciadas em Sanrio (eu mesma!) vão ter cacarecos temáticos de seu personagem favorito em diferentes formatos: pelúcia, chaveiro de acrílico, porta-cartão. e por aí vai. 

é fácil aprender sobre as preferências de uma cacareco girl observando seus cacarecos. esta é uma daquelas tendências em que a expressão individual é posta pra frente, e pessoas com um estilo próprio, mais alternativo, conseguem brilhar. é também a chance de experimentar coisas novas pra quem ainda tá descobrindo o seu estilo: por que certos cacarecos são mais atrativos pra você do que outros?

quem me vê andando por aí, com minha bolsa fazendo clec-clec-clec, percebe que eu amo roxo e opto por cacarecos mais utilitários, já que fico o dia inteiro longe de casa - mas ainda assim não abro mão das minhas fofurices. as garotas que vejo pelo campus do meu trabalho têm cacarecos variados, como bichinhos de pelúcia em bolsos de plástico transparente em suas mochilas, mosquetões com hidratante labial pendurados nos passantes de suas calças jeans, uma série de chaveiros nos zíperes das mochilas. é essa a idade de descoberta, e fico com o coração quentinho vendo que a cacarecagem anda firme e forte, essa conexão entre eu, na casa dos 30, e as garotas do ensino médio.

não se preocupem que eu já criei um arquivo de brainstorming de ideias pra newsletter e pretendo não deixar tanto tempo passar até meu próximo número. lembrando que aceito ideias & sugestões da plateia - vocês! àqueles que me têm no Telegram/Instagram, a dm tá aberta. àqueles que quiserem comentar por aqui, lembro que o beehiiv tem uma ferramenta de comentários:

o meu sonho é ter comentários o suficiente pra fazer números respondendo vocês! acho que seria um quadro legal pra cartinha. adoro participação do público - coisa de professora, eu acho. então, fiquem a vontade pra me contarem o que acharam desse número e o que vocês esperam dos números futuros.

nos vemos na próxima!

beijos,
lu

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