faaaala, internet! tudo bom por aí? boas vindas à gaveta de tralha, a newsletter levemente periódica sobre cultura (pop, digital & de fãs) escrita por mim: Luisa! fangirl inveterada e, por acaso, estudiosa de fãs. este é o primeiro número de 2026, então feliz ano novo pra gente. que esse ano seja gentil. é tudo que eu tenho a pedir.
durante as últimas semanas de 2025, eu tive minha vida inteiramente consumida por Heated Rivalry, série canadense sobre jogadores de hockey de times rivais que têm um romance secreto nos bastidores. no último número, mencionei que minha última obsessão com mídia tinha sido Murderbot Diaries, e, São Carlo Acutis, como o poder da internet faz as coisas mudarem rápido! porque logo depois de escrever o #3, comecei a assistir HR e aconteceu algo que eu não experimentava há bastante tempo: brainrot, total e completo.
então, resolvi abrir meu aplicativo de notas e começar a escrever notas de campo sobre como é experimentar um brainrot pra documentar tudo aqui nessa newsletter. é como eu disse pra minha amiga Marina: a diferença entre só zoação e ciência, é que na ciência a gente anota tudo!

pra quem tem curiosidade, ciências sociais é isso aí!
se a leitora tá se perguntando o que diabos é um brainrot, vamos nessa. mas primeiro, se inscreve!
definições necessárias
se você é uma pessoa cronicamente online que nem eu, já deve ter visto a expressão “brainrot” por aí. do inglês, significa literalmente “cérebro podre”; o termo já apareceu na mídia como uma consequência do uso exagerado das redes sociais. de acordo com o site do queridíssimo Dr. Drauzio Varella, “o termo significa apodrecimento ou deterioração mental e tem a ver com a influência do uso excessivo das redes sociais. um dos principais causadores do fenômeno é consumo contínuo de vídeos curtos e sem contexto, mas altamente satisfatórios – o que te faz querer assistir cada vez mais.”
neste contexto, o apodrecimento mental é aquele estado de inércia em que nos enfiamos quando ficamos navegando sem rumo pelas diferentes plataformas sociais. já viu um daqueles vídeos que é uma narração de história do reddit enquanto no fundo fica passando uma pessoa andando por um mapa de Minecraft? tudo pra manter a atenção da audiência no vídeo… e sinal de apodrecimento mental.
o curioso é que eu já conhecia esse termo de antes… dos meus tempos passados em diferentes trincheiras de diferentes fandoms. num contexto de fã, brainrot quer dizer aquele estado de obsessão profunda por uma nova peça de mídia, quando todo o seu tempo livre é usado para pensar sobre seu novo objeto de fã. você vai pro trabalho escutando a trilha sonora da série, passa seu intervalo de almoço assistindo vídeos sobre a série, escreve uma fanfic na surdina, fica fofocando com suas amigas sobre os próximos episódios e compartilhando links de entrevistas do elenco.
percebam que estou dando exemplos relacionados com séries de TV, porque meu último brainrot está relacionado a uma delas. uma série de streaming, pra ser mais exata, e de um streaming canadense até então desconhecido, o Crave. estou falando, é claro, de Heated Rivalry, série baseada nos livros de romance MM (entre dois homens) de Rachel Reid, ambientada em diferentes times de hockey. a série acompanha um dos casais dos livros de Reid, Shane Hollander e Ilya Rozanov (nome de ship: hollanov), que jogam para times que têm uma rivalidade épica mas acabam se apaixonando um pelo outro, tendo que lidar com as pressões de ser um homem queer num esporte tão masculinizado como o hockey. Jacob Tierney, quem adaptou o livro pro audiovisual, já deixou claro que a série vai seguir de perto Ilya e Shane, mas dando algum espaço para os outros casais dos demais livros de Reid.
romances de hockey hétero são muito populares no BookTok. de forma até assustadora, eu diria. eu não curto esportes no geral, e via de regra não leio romances eróticos (é claro que existem exceções), então essa não era uma área do BookTok que eu frequentava muito. apareciam vídeos para mim sobre os diferentes livros, volta e meia, e com certeza sobre as controvérsias que de vez em quando pipocavam nesse nicho específico da internet. mas eu nunca li um romance de hockey na minha vida. então, quando sentei pra assistir HR, depois das recomentações da Nat Pinheiro (revisora e preparadora, contratem ela!) e da Sofia Soter (autora e tradutora, comprem O legado das águas!), eu não estava esperando ser completamente consumida por essa série.
mas foi o que aconteceu. e como boa cientista social, eu tomei notas.
o percurso.
Nat viu o trailer de HR em outubro de 2025 e a série já estava no radar dela. ela tinha comentado casualmente no grupão onde reúno meus amigues pra ficarmos falando sobre nada e compartilhando fotos de pets; esse grupo seria em breve completamente tomado por Heated Rivalry. Sofia, já em dezembro de 2025, veio comentar que o primeiro livro de hockey da Reid era uma ex-fanfic, sabendo do meu interesse por esse tipo de coisa, e que a série de TV seguia uma estrutura de montagem estranha. e é verdade; Sofi muito bem observou que nos dois primeiros episódios da série tem umas passagens de tempo bizarríssimas, que ficam quicando na tela de forma que você não consegue bem entender quanto tempo se passa entre uma cena em outra.
diagnóstico: a série está sendo produzida como uma fanfic, não como uma série de TV em si mesma. evidências? vinhetas curtíssimas em que o tempo vai passando de forma acelerada, de forma que não dá pra se conectar muito bem com os personagens, porque a série pressupõe que você já conhece eles e já tem investimento emocional na jornada dos dois. particularmente, eu acho que quase não há contexto suficiente pra uma audiência que não é familiarizada nem com hockey nem com os livros. e falo isso não porque acho que tudo tem que ser minuciosamente explicado pra uma audiência que vai estar assistindo a série enquanto tá no celular, mas é questão de contextualização mesmo. até agora eu não sei o que são as “playoffs” que os jogadores vivem referenciando.
(hipótese: a série é canadense, onde hockey é extremamente popular. não havia expectativa pra que a série fosse o estrondo mundial que está sendo, então talvez a produção esperava que ia ficar mais contido no Canadá, onde a audiência tem uma noção básica de como hockey funciona, que nem brasileiros, no geral, sabem como o Campeonato Brasileiro, a Libertadores, e o Mundial funcionam.)
no entanto, a série faz excelente uso de ferramentas audiovisuais pra contar sua história e fazer com que a audiência que desconhece os livros fique investida. a trilha sonora é maravilhosa! o uso das câmeras para enfatizar as sardas de Shane, que são a primeira coisa que o Ilya nota nele, por exemplo, também é excelente. o próprio uso do idioma russo - Ilya é russo e joga nos EUA, então inglês é seu segundo idioma - é muito bom, pelo menos para mim, que não falo russo. (mas muitos falantes de russo têm elogiado a performance de Connor Storrie, ator de Ilya, que é texano e! aprendeu russo! pro papel!)

Connor, COMO ASSIM?
mas, no fim das contas, eu acho que Heated Rivalry pega tanto a audiência porque é uma série que leva a sério o romance e a conexão emocional da audiência com os personagens, e que faz isso apertando todos os mesmos botões de serotonina que são ativados com a leitura de uma excelente fanfic. o que eu quero dizer com isso? a construção de mundo fica em segundo plano (tudo bem que é o nosso mundo real, mas, como eu mencionei, não temos contexto nenhum sobre como funciona o Ambiente do Hockey. não assista essa série esperando hockey.) e foca inteiramente nos personagens, em como eles se conectam, como eles se comunicam (ou falham em se comunicar lol), como se aproximam e se apaixonam. a jornada da série é interna, estamos o tempo todo com aqueles personagens, de forma que o mundo perde seus contornos ao ponto de que tudo que existe são os dois. se apaixonando. eu amo amor!!!
várias análises de HR chamam atenção pras cenas de sexo explícito na série como um de seus atrativos. essas cenas fazem muito pouco por mim - que sou assexual - mas narrativamente servem para ilustrar o aprofundamento da conexão dos personagens. Ilya é o primeiro homem com quem Shane transa, e eles estabelecem uma forte conexão física antes de desenvolverem emoções mais intensas entre eles. pessoalmente, pra mim essa jornada emocional é bem mais interessante do que o interesse físico entre os dois, mas é inegável que os atores principais - Hudson Williams, de 24 anos, e Connor Storrie, de 25 - são belíssimos. ajuda também que eles têm uma química feroz, tendo virado amigos próximos fora das gravações, ficando super confortáveis um com o outro ao ponto do Connor dizer que o Hudson é uma das almas gêmeas dele.

o Hudson querendo lançar o NEVOU
a série leva a sério o romance. ela não odeia ser romance, como algumas séries por aí (fiquem a vontade pra especular quais séries seriam essas nos comentários). na verdade, ela se refestela na oportunidade de poder seguir a jornada de Ilya e Shane, e de como eles se conectam e se apaixonam, apesar das adversidades: rivalidade esportiva, homofobia, neurodivergência, traumas infantis inenarráveis. eu disse antes que HR deu certo porque funciona como uma fanfic, e devo aqui enfatizar: uma fanfic focada num ship específico, aquele tipo de história em que você não precisa muito do contexto para apreciar a leitura daqueles personagens se metendo em Situações e Sentindo Sentimentos.
o último episódio da primeira temporada estreou em 26 de dezembro de 2025, um baita presente de Natal, e desde as últimas semanas de dezembro tem ocupado cada vez mais espaço na internet e na TV estadunidense. os atores principais têm dado numerosas entrevistas, emplacaram uma história erótica em áudio pela plataforma quinn, tiveram a segunda temporada confirmada, e têm aparecido em todas as premiações de início de ano.
eu não sou nada se não um plankton na cadeia alimentar de HR, mas minha vida foi preenchida por esses gays (termo guarda-chuva) do hockey e tudo aconteceu por etapas.
as fases do brainrot.
a minha amiga Nat começou no brainrot mais adiantada que eu: depois que o trailer foi lançado em outubro, ela leu os livros. eu só fiquei ciente de que Algo Grande estava acontecendo no espaço cultural quando meu feed do TikTok virou quase integralmente sobre Heated Rivalry do dia pra noite. sem eu ter que fazer nada sobre isso. daí, a Sofia mencionou o formato esquisito da série - “isso não é uma série de TV”, ela disse, algumas vezes, “é uma fanfic televisionada” - e fiquei mais intrigada.
o que me fez realmente assistir Heated Rivalry foi saber que o François Arnaud está no elenco. eu sou assexual mas nem mesmo eu fui imune ao charme cafajeste de Arnaud como César Bórgia (sabe, o príncipe de Florença pra quem Maquiavel escreveu O Príncipe). desde que assisti The Borgias (cancelada cedo demais; assisti só em 2025), fiquei apaixonada por Arnaud. mas ele é canadense, e pouca coisa importante que ele fez chegou aqui no Brasil, tirando o papel super pequeno dele em Yellowjackets (outra série sobre gays (termo guarda-chuva) esportistas!). fiquei empolgada por ter mais coisa do François pra assistir e curiosa com os comentários da Sofi sobre a estrutura e lá fui eu.
não saí do trenzinho do brainrot até agora.
obs.: importante notar que as fases do brainrot podem ser sequenciais, concomitantes, voltarem quando você achou que já tinha superado, ou que você pode ter pulado uma fase ou outra. isso aqui é uma newsletter, não uma teoria definitiva sobre a psicologia de uma fangirl.
fase 1: reassistir. sem. parar.
quando comecei a assistir HR, 4 episódios já tinham sido lançados. então, a minha experiência de assistir a série pela primeira vez envolveu a espera de uma semana depois do fim do episódio 4, que tem a infame cena da boate com All The Things She Said no fundo.
é aí que a estrutura de HR-como-fanfic pega o cérebro da pessoa criada em fandom. eu passei 3 episódios vendo Shane e Ilya se apaixonando só pra terem um puta desentendimento no fim do episódio 4 e a resolução ficar no ar. (o s1e3 segue o personagem do François Arnaud, Scott Hunter, e seu próprio romance secreto com um barista, o Kip. então não tem hollanov.)
eu não tive paz durante aquela semana, pensando nos meus queridos gays do hockey, e em como eles estavam sofrendo porque estavam apaixonados um pelo outro. eu amo amor!!! amo ver pessoas amando!!! então eu precisava reassistir todos os episódios em preparação ao lançamento do s1e5.
e foi o que eu fiz. em uma semana, devo ter visto cada um dos 4 episódios mais 2 vezes. na sexta-feira seguinte, eu saí correndo do trabalho pra conseguir assistir o s1e5 antes de ir pra manicure, que eu tinha marcado antes de começar a assistir HR então não podia desmarcar. (sim, eu cogitei desmarcar pra conseguir assistir o episódio.) eu devorei os episódios com fervor e calma, ao mesmo tempo, voltando para reassistir cenas preferidas, tentando entender melhor a linha do tempo (que ainda é uma confusão pra mim), e conversando com amigues que estavam na mesma situação.
fase 2: só falar disso. com todo mundo.
a leitora não quer ficar sabendo a quantidade de grupos que faço parte em diferentes apps de mensagem que foram tomados por Heated Rivalry. pelo menos no grupo do Cultpop, a gente estava falando da explosão da série em termos academicamente curiosos, mas em vários outros grupos a gente só tem falado sobre cada micro detalhe da série e como amamos nossos gays do hockey. na semana de lançamento do quinto episódio, o meu grupo principal de mensagens no Telegram só falava disso. as pessoas que não estavam assistindo HR nem interagiam mais lá porque o assunto foi completamente tomado.
e, eventualmente, todo mundo acabou assistindo a série. a gente nem precisa usar tags de spoilers no grupo. é aqui que o brainrot se manifesta mais visivelmente, porque eu me sentia completamente incapaz de falar sobre qualquer coisa que não fosse Heated Rivalry ou o elenco. passei a acompanhar Connor e Hudson em seus perfis no Instagram, a ler suas entrevistas, e a assistir toda a divulgação que estavam fazendo da série: tudo isso pra comentar e dissecar os detalhes com amigues.
[meme da cady de meninas malvadas querendo falar da regina george mas de heated rivalry]
todo o meu tempo livre era passado pensando nessa série, nas fanfics que estava lendo, no futuro de Ilya e Shane, na carreira de Connor e Hudson, nas escolhas cinematográficas, de trilha sonora, de figurino. toda música que eu ouvia me lembrava os hollanov, de alguma forma. eu escutei uma playlist só de músicas da Lorde e me peguei pensando: “putz, como pode toda música ser completamente eles?” um dos estágios mais agudos do brainrot. também não ajuda a quantidade de edits dos dois ao som de Supercut.
e, falando em edits…
fase 3: o algoritmo aprendeu.
não demorou para todas as plataformas sociais que uso - TikTok e Instagram - serem tomadas por Heated Rivalry uma vez que comecei a comentar a série sem parar. em momento algum eu ativamente pesquisei conteúdo de HR, mas eu com certeza interagi de forma muito entusiasmada quando foram aparecendo edits na minha FYP e mais sessões de fotos dos hudcon foram aparecendo. minha coisa preferida até agora está sendo acompanhar os edits dos hollanov com as mais diferentes músicas. (o edit deles ao som de Francesca do Hozier… meu deus!!!)
e quando o algoritmo aprende sobre a sua nova obsessão, é quase impossível abrir mão dela, porque toda vez que você abre o Instagram sem pensar, tá lá uma photoshoot nova dos atores, ou alguém reagindo a alguma cena. e aí, o que era uma olhadinha inocente para passar o tempo vira uma sessão de longos minutos passeando pelo feed, assistindo todo tipo de conteúdo sobre Heated Rivalry.
fase 4: planilhas & outros recursos.
a partir daí, começa a fase mais ativa do brainrot: produzir recursos relacionados a Heated Rivalry. o que isso quer dizer? eu criei uma planilha de recomendações de fics hollanov para amigues irem editando e adicionando suas leituras preferidas. minha amiga Márcia criou uma playlist dos dois, e eu fui lá e fiz pior: criei uma playlist hollanov só com músicas da maior canadense de todos os tempos, Carly Rae Jepsen. minha amiga Nat criou um pacote de figurinhas de HR no telegram e todo dia eu uso pelo menos duas delas - tá virando parte do meu vocabulário cotidiano.
todo mundo que tem muita vivência em fandom sabe que a fase das planilhas é um dos grandes indícios de sedimentação de uma obsessão. porque você tem que ter um tipo bem específico de cérebro pra gastar seu tempo livre no Excel produzindo planilha por causa de série de TV. eu detesto sempre que preciso usar o Excel no trabalho, mas criei minha planilha felicíssima, contente em ter um repositório de fanfic pra ler quando quiser.
fases futuras: escrever fanfics, gastar dinheiro & ler Game Changers.
olha só, vocês têm que entender o quanto eu preciso de uma jersey dos Boston Raiders com o número do Ilya… por motivos. (eu nunca assisti um jogo de hockey nem pretendo. mas me imagino praticando pilates com a jersey.) várias lojinhas de produtos de fãs estão lançando coleções de HR e eu fico sedenta atrás delas, mas sou apenas uma pobretona que vai ter que esperar o cartão de crédito esvaziar pra comprar qualquer uma delas. além da jersey, eu quero muito um pin! (coleciono pins. então pode ser que não seja do desejo de todo mundo.)
pra mim, gastar dinheiro é sempre um sinal muito forte de obsessão, porque, como acabei de dizer, sou uma pobretona. muitas outras coisas entram na frente na lista de prioridades (como por exemplo, meus remédios psiquiátricos) pra eu de fato cogitar desembolsar centenas de reais em produto de fã. mas olha, tô com os carrinhos montados e sonhando conseguir um freela pra pagar minha jersey do Ilya…
além da necessidade de hiperconsumismo, também vem o comichão da fanfic - já recebi até encomenda de uma one-shot. eu amo ler fanfics, como vocês bem sabem, mas é mais raro que eu escreva fics; meus tempos de escritora assídua ficaram pra trás. mas HR tem tanto material bom de romance, de aprofundar os personagens e colocá-los em diferentes Situações, que estou me sentindo tentada. e, mais surpreendente ainda, é a vontade que eu tenho de escrever fics dentro do cânone da série! quando eu geralmente sou a doida dos Universos Alternativos! (pra você que não manja do vocabulário fanfiqueiro, recomendo o primeiro número da newsletter.)
a coisa é: estou gostando tanto desses personagens, que quero passar mais tempo com eles. e posso fazer isso escrevendo minhas fics ouuu lendo os livros que inspiraram a série. Game Changers vai chegar ao Brasil pela Globo Alt (alô, pessoal da Alt! amo vocês! me incluam no mailing!) em breve, numa edição belíssima. se eu resistir até lá, vou comprar o volume físico - mas todos os audiobooks estão disponíveis no app de audiobooks que eu assino… então talvez eu me renda antes e comece a escutar quando estou indo/voltando pro trabalho. além do mais, a Rachel Reid anunciou um terceiro livro acompanhando Shane/Ilya, chamado Unrivaled. parece ser o momento perfeito para começar a ler os livros!
cérebro podriiiiiinho.
enquanto escrevia esse número, fiquei resfriada, com direito a febre e tudo, e passei por uns estresses em casa. tinha prometido a mim mesma que não reassistiria Heated Rivalry em janeiro, pra dar espaço na minha cabeça pra outras coisas, ir arejando e viver pra além dos gays do hockey. mas aí eu fiquei doente… e com pena de mim mesma… e revi tudo mais uma vez.
meus papéis de parede do celular são de Heated Rivalry. eu troquei a foto da minha gata por eles!!! vocês têm noção da dimensão dessa mudança???
tudo isso só pra dizer que o brainrot não vai ceder tão cedo. já tenho experiência o suficiente com fandom pra conseguir identificar uma obsessão mais duradoura daquelas passageiras, e o conjunto da obra prova que o amor por Heated Rivalry veio pra ficar. evidências:
ainda sorrio que nem uma palerma sempre que vejo meu papel de parede ou fotos novas dos atores;
recebo aviso de atualização de fanfic de HR direto pro meu e-mail;
escuto as playlists do ship sem parar;
estou acompanhando as aparições do elenco em premiações e entrevistas;
minhas amizades me mandam conteúdo que encontram de HR sem que eu precise pedir;
minha lista de “assistir mais tarde” do YouTube está literalmente assim:

essa é só PARTE da lista, vejam bem
o engraçado é que Heated Rivalry tá sendo o primeiro fandom e o primeiro brainrot de muita gente que tá documentando o processo no TikTok. desejo muitas boas-vindas a todes que estão começando sua jornada em fandom agora, mas com uma quantidade tão grande de calouros nas trincheiras de fandom, é possível observar umas tendências super tóxicas no fandom de HR. por exemplo, o assédio que Hudson e Connor têm sofrido, especialmente nos comentários das diferentes plataformas. o deuxmoi supostamente vazou as informações da namorada do Hudson, uma pessoa anônima; diversas pessoas têm atacado o François Arnaud, por conta de um rumor que ele e Connor estão namorando, e esses fãs acreditam que Hudson e Connor deveriam ser namorados.
tudo bem estar caindo de amores por Connor e Hudson, e fantasiar um casamento no campo com eles, mas daí levar isso pra vida cotidiana dos atores não é bacana. eles fizeram um excelente trabalho em Heated Rivalry, e não parecem ligar de ter o mundo inteiro comentando sobre seus corpos, mas ainda são pessoas com direito à privacidade e aos seus relacionamentos fora do elenco. e fora do que a gente espera, também. importante lembrar que nenhum deles saiu oficialmente do armário e não é nosso papel enquanto audiência e fãs ficarmos pressionando-os para que falem sobre sua orientação sexual. (literalmente fizeram isso com o Kit Connor de Heartstopper há poucos anos. padrões que se repetem.)
tá sendo muito interessante acompanhar esse Momento na cultura pop - tanto como pesquisadora como fangirl. como eu mencionei, fazia muito tempo desde que eu me enfiava de cabeça numa obsessão como está sendo com Heated Rivalry, e eu confesso que estava sentindo falta de ter algo assim preenchendo meus dias, me dando assunto sem fim com meus amigues, me fazendo sorrir por motivo nenhum.
se você nunca experimentou um brainrot, eu recomendo. nem que seja só pelo aspecto antropológico da coisa, de se conectar com outras pessoas de cérebro podre.
e chegamos ao fim de mais uma edição da gaveta de tralha. se você chegou até aqui, você leu mais de 3 mil palavras sobre cultura de fã. meus parabéns por provar que ainda existe capacidade de foco na internet!
pra quem tiver interesse, a seção de comentários tá sempre aberta.
e, pra você que recebeu esse e-mail via amigues e curtiu ler todas essas palavras, não se esqueça de se inscrever. eu não prometo periodicidade, mas prometo entretenimento!
mas falando sério, eu aprecio muito todes vocês que tiram um tempinho do dia para lerem os meus pensamentos. gosto muito de escrever a newsletter e gosto mais ainda de poder compartilhá-la com vocês.
nos vemos na próxima, tá?
beijos,
lu